FISIOTERAPIA PROPORCIONA AUTONOMIA PARA CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN

Cada criança apresenta um padrão de desenvolvimento distinto. Quando a pessoa nasce, o sistema nervoso central não está completamente desenvolvido, dependendo de incentivos para sua posterior maturação. No entanto, portadores da Síndrome de Down apresentam debilidades funcionais ainda mais severas. Nestes casos, a evolução da criança depende da intervenção precoce de estímulos como a fisioterapia ocupacional, considerada essencial para o progresso neuropsicomotor e social.

A maior preocupação com os recém-nascidos portadores da síndrome é com a instabilidade craniovertebral (falta de sustentação do pescoço), mais acentuada do que em outros bebês com a mesma idade. Em casos assim, a fisioterapia pediátrica propõe estímulos de maneira individualizada, a fim de otimizar o atendimento de acordo com as potencialidades e necessidades. Quando não tratada, a disfunção pode causar problemas neurológicos – variando de dores moderadas até paralisia.

No Brasil, nascem em média 8 mil crianças com Síndrome de Down a cada ano, uma proporção de 1 caso a cada 750 nascidos. A condição que altera os genes do cromossomo 21 gera hipotonia muscular e frouxidão nos ligamentos, fazendo também com que os bebês nasçam menores quando comparados aos demais.

Outra situação comum é o chamado “pé plano”, situação em que os ossos dos pés não estão devidamente estabilizados e alinhados para que a criança fique em pé e consiga caminhar. Por isso, cabe ao fisioterapeuta o papel de avaliar o grau de deformidade para indicar o tratamento com sapatos especiais, palmilhas ou órteses.

Estímulos lúdicos para evolução real

Exercícios com brinquedos coloridos e que emitem sons servem para despertar o interesse da criança. Os objetos são apresentados acima do campo de visão do bebê, ou enquanto ele estiver de barriga para baixo ou de lado, estimulando os movimentos. Atividades lúdicas fixam a atenção da criança para fortalecimento das pernas, além de proporcionar sustentação e equilíbrio. Para aqueles que já caminham são aplicadas atividades com bola, no tatame e em circuitos que estimulam inclusive a cognição.

Intervenções nos primeiros meses de vida apresentam melhores resultados devido à neuroplasticidade do cérebro, que se modifica de acordo com padrões de experiência. Na prática, crianças com Síndrome de Down, acompanhadas desde os primeiros meses por fisioterapeutas, começam a caminhar por volta dos dois anos de idade – enquanto crianças que não recebem estímulos só conseguem se locomover aos quatro anos.

A fisioterapia precoce também trata outra disfunção que acomete cerca de 50% dos portadores da síndrome: a escoliose. O desvio lateral na coluna é corrigido readaptando a postura com exercícios contínuos. O principal objetivo da fisioterapia é capacitar a autonomia do indivíduo portador de Down com foco na qualidade de vida.

Um cromossomo a mais: atenção redobrada

O pediatra responsável pelo acompanhamento da criança também precisa avaliar o desenvolvimento das aptidões. Isso porque a prática física deve levar em conta, ainda, a incidência de doenças cardíacas congênitas, que acometem cerca de 40% dos portadores da Síndrome de Down.

Tramita em São Paulo o Projeto de Lei (PL) 439/2017, que propõe que hospitais sejam obrigados a comunicar as entidades de atendimento para portadores da síndrome. A intenção é garantir acesso ao tratamento multidisciplinar, sobretudo a famílias mais carentes.

Portanto, cabe ao profissional de fisioterapia orientar famílias de crianças com Síndrome de Down. É essencial que os estímulos trabalhados sejam mantidos quando ela estiver em casa, com atenção plena à criança para observar seu desempenho e reportar ao fisioterapeuta evoluções e necessidades. De acordo com o progresso do paciente, o profissional também pode indicar esportes e atividades físicas que auxiliem na continuação dos avanços conquistados.

Redação Secad

Redação Secad

O melhor conteúdo sobre a sua especialidade.